A indústria da Convergência e a internet das coisas
João Pessoa,
14 e 15 de Dezembro

StartUp vencedora em 2012 relata experiências na nova edição da BR 3.0

A empresa paraibana Yupi, que foi a vencedora na competição de startups durante a primeira edição da Conferência Internacional Brasil-Canadá 3.0, volta à próxima edição na condição de painelista. O tema a ser abordado envolve a promoção de economia digital criativa, e o seu diretor, Erisvaldo Júnior, relatará as experiências que obteve com a Yupi nos últimos 12 meses.

A Startup é a primeira rede de entretenimento educativo para dispositivos móveis do Brasil que conecta pais, crianças e professores.

Para Erisvaldo, a vitória rendeu uma viagem ao Canadá, onde pode compartilhar conhecimentos que agregaram ao potencial da Yupi. “Pude debatê-lo em detalhes com pessoas influentes da indústria de games e tecnologia e deixei as portas abertas com fundos de investimento para receber um possível aporte quando a rede estiver operacional (meados de 2014)”, disse.

Confira na íntegra, a entrevista que o CEO da Yupi Studios, concedeu a equipe do Brasil-Canadá 3.0:

A Yupi venceu a competição de Startups na primeira versão da Conferência Brasil-Canadá 3.0. O que mudou na Yupi, um ano depois?

Erisvaldo Júnior - Além de ter sido selecionada a melhor startup na Conferência Brasil Canadá 3.0, também fomos selecionados para o Start-Up Chile e fechamos o contrato de parceria com a Tapjoy, o que nos levou a um destaque nacional e até mesmo internacional no âmbito das Startups, com várias matérias em jornais, revistas e televisão. Isso pode ser atribuído a uma grande exposição de potencial desde o primeiro dia da Yupi, sempre prototipamos nossas soluções rapidamente e trabalhamos duro no primeiro ano para mostrar "que não estávamos para brincadeira". Não houve medo de errar tampouco paralisia de estudo, fomos para a prática e a teoria/conhecimento vieram depois.

Hoje acredito que os prêmios foram muito importantes como estímulos para seguirmos adiante, mas eles devem servir apenas como uma validação de que a startup está seguindo o caminho correto. É importante não se deslumbrar com as conquistas pois nenhum prêmio supera um modelo de negócios coeso e um faturamento crescente proveniente de seu produto. É importante não cair na armadilha do hype e amadurecer para tirar o melhor proveito das oportunidades que surgem. Elas são consequência natural de um trabalho bem feito. Uma startup que não recebeu nenhum prêmio e está focada no desenvolvimento de seu produto, na concretização de parcerias e no refinamento de um plano de negócios consistente pode estar, na verdade, muito a frente de uma que está visível na mídia. É preciso pés no chão.

O que mudou em relação a Yupi com esses prêmios?

Erisvaldo - Acredito que nos fez amadurecer rapidamente, convergindo todas aquelas ideias iniciais e o então amadorismo de um empreendedor de primeira viagem para um foco bem definido e consistente que nos remete hoje ao desenvolvimento da Yupi Play. Foi de extrema importância as experiências no Chile (Start-Up Chile), EUA e Canadá, pois tive a oportunidade de aprender, em um curto espaço de tempo e na prática, o que poderia demorar anos para assimilar na academia ou por conta própria aqui no Brasil.

Agora sinto que tenho todas as ferramentas necessárias para desenvolver o projeto e preencher os gaps do plano de negócios, bem como levantar capital semente assim que necessário para escalarmos em tempo hábil.

Como parte da premiação da competição, a Yupi ganhou uma viagem para o Canadá, onde recebeu treinamento em empreendedorismo. Como foi essa experiência? O que o empreendedor Erisvaldo trouxe na bagagem? Qual o principal diferencial do empreendedor canadense e o empreendedor brasileiro?

Erisvaldo - O ganho foi imensurável. Fui com um foco bem definido de validar o projeto que estamos trabalhando, a Yupi Play, primeira rede de entretenimento educativo para dispositivos móveis do Brasil que conecta pais, crianças e professores. Pude debatê-lo em detalhes com pessoas influentes da indústria de games e tecnologia e deixei as portas abertas com fundos de investimento para receber um possível aporte quando a rede estiver operacional (meados de 2014). Tive, ainda, a oportunidade de receber uma mentoria bastante completa sobre o pitch da Yupi Play para quando tiver a oportunidade de apresentá-lo para uma banca de investidores em busca da primeira rodada de capital. Além disso, diversos ganhos correlatos e inesperados como parcerias com outras empresas de games e um potencial grande cliente, a OpenText.

A diferença entre o empreendedorismo canadense e o brasileiro? Sem sombra de dúvidas, a maturidade e a qualidade do ecossistema são a grande diferença, o que acaba refletindo diretamente na qualidade dos empreendedores e na ambição das equipes que compõem as startups canadenses, que visualizam casos de sucesso pessoalmente e na própria vizinhança. A região de Kitchener-Waterloo conta com tudo que um bom ecossistema de startups precisa: uma incubadora/aceleradora de peso internacional, a Communitech, ligada diretamente à Universidade de Waterloo e grandes empresas que estão a passos de distância como EA, Google, Blackberry e OpenText; mentores, investidores e fundos de investimento com experiência comprovada e ampla participação no ecossistema; um programa de aceleração chamado Hyperdrive que contempla não só o investimento inicial de US$ 40 mil mas também novos investimentos semente até a startup completar dois anos de vida, que as tornam maduras e preparadas para escalar e receber investimentos de Série A, B, etc. Ainda temos muito a evoluir.

Você participará do painel "Promovendo a Economia Digital Criativa". Quais as expectativas para o evento? O que será discutido neste painel? Sua experiência no Canadá será compartilhada?

Erisvaldo - Este ano a Conferência está ainda mais interessante pois contará com a presença de 10 startups canadenses que foram selecionadas para participar da conferência. A CDMN junto com a ANID vem realizando um trabalho fantástico e é imensurável o ganho para ambos os ecossistemas. Vou participar como panelista e pretendo falar um pouco da minha experiência no Canadá e também no Start-Up Chile, onde aprendi muito. A expectativa é a melhor possível.

Haverá nesta edição, uma competição de 10 Startups brasileiras e 10 canadenses, como empreendedor premiado, quais são suas dicas para esses novos empreendedores?

Erisvaldo - Vou repassar alguns conselhos que obtive sobre pitch lá no Canadá e também no Start-Up Chile. O tempo de pitch em competições geralmente é bem curto, então é importante ir direto ao ponto. Começar se apresentando e dando uma breve descrição do problema que está resolvendo, é muito importante chamar a atenção de todos já no início, pois se não ganhar a atenção nos primeiros 30 segundos dificilmente o jurado vai acompanhar atentamente a sua apresentação. Em seguida, mostrar o quão grande é a oportunidade, ou seja, dados do mercado e, especificamente, do segmento que você quer alcançar. O terceiro passo é apresentar a solução, apenas o principal, do que se trata, sem entrar em muitos detalhes devido ao tempo. O modelo de negócios seria o próximo na ordem de prioridade, não pode faltar e deve deixar claro como vai obter as receitas. Por fim, a equipe, mostrando que a mesma é capaz de executar o projeto, finalizando a apresentação com frases que ressaltam os itens mais importantes do seu projeto. Havendo tempo, outros itens importantes podem entrar entre o modelo de negócios e o encerramento: concorrentes, porque agora é o momento ideal para o projeto, validação/aceitação/tração e projeções financeiras.

A conferência Brasil-Canadá 3.0 é uma realização do Governo do Estado da Paraíba e do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e tem como patrocinadores master a Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid), Câmara de Comércio Brasil-CanadáGoverno do Canadá e da Empresa Paraibana de Turismo (PBTUR). A edição deste ano acontecerá mais uma vez na Paraíba nos dias 5 e 6 de dezembro, no Centro de Convenções Poeta Ronaldo Cunha Lima, no polo Cabo Branco, em João Pessoa.

A Conferência reunirá Governo, Pesquisadores e Indústria de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) para debater assuntos relacionados ao desenvolvimento e inovação. O título desta edição será “Processos criativos na indústria da convergência: oportunidades e desafios para a produção de conteúdo no ambiente da economia digital”.

Ascom