A indústria da Convergência e a internet das coisas
João Pessoa,
14 e 15 de Dezembro

Relatório da edição 2012

Realizou-se em João Pessoa, nos dias 3 e 4 de dezembro último, a Conferência Brasil-Canadá 3.0, em torno do tema "Mídias Digitais e seus Impactos". O evento, que reuniu aproximadamente 1200 participantes do setor público, do setor privado e da sociedade civil, é inspirado na Conferência Canadá 3.0, a qual vem congregando, nos últimos anos, representantes desses três setores para impulsionar a economia digital canadense.

2. Como se recorda, o plano de ação adotado pelo Comitê Conjunto Brasil-Canadá para cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação estabeleceu a cooperação bilateral com vistas à realização, no Brasil, da referida Conferência, como principal atividade na área das Tecnologias da Informação e das Comunicações (TICs) em 2012.

3. O evento contou com grande envolvimento das autoridades locais. O Governador do estado da Paraíba, Ricardo Coutinho, participou da mesa de abertura, juntamente com o Diretor do DCT, Embaixador Benedicto Fonseca Filho, o Vice-Governador Rômulo Gouveia, e outras autoridades do legislativo e executivo estadual e do município de João Pessoa.

4. Ao longo dos debates, participaram como painelistas, entre outros, o Secretário de Política de Informática do MCTI, Virgilio Almeida; a Secretária de Inclusão Digital do MiniCom, Lygia Pupatto; o Diretor do Departamento de Banda Larga do MiniCom, Artur Coimbra; conselheiros do Comitê Gestor da Internet do Brasil (Demi Getshko, Percival Henriques, Carlos A. Afonso, Veridiana Alimonti); e outras personalidades de relevo no âmbito das TICs na área acadêmica e do setor privado. O Itamaraty esteve representado, ademais do D-DCT, pelo Chefe da DI, Conselheiro Franklin Silva Netto (coordenador do Comitê Organizador da Conferência), pelos Secretários Alexandre Fontenelle e Fernando Mallmann, e pelo OC Ricardo Bonisson, da DI.

5. Cabe registrar a expressiva participação canadense no evento em João Pessoa, tendo sido a delegação daquele país integrada por cerca de 20 representantes de governo, de centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e dos setores industrial e de serviços.

6. Além dos painéis realizados na plenária do evento, ocorreram ainda discussões paralelas dividas por quatro trilhas temáticas que abordaram, na tarde dodia 03/12 e ao longo do dia 04/12, os seguintes assuntos: (i) Conectividade e Governança da Internet; (ii) Conteúdos Digitais; (iii) Formação de Talentos; e (iv) Empreendedorismo Digital.

 

Abertura

7. Na cerimônia de abertura, o Governador Ricardo Coutinho reiterou o interesse daquele estado na cooperação com o Canadá. Reconheceu a importância dese promover articulação entre o setor público, setor privado e Academia e mencionou o papel indutor do Governo, por meio da implantação de instrumentos de fomento na área de TICs. Ao enfocar a necessidade de difusão do acesso à Internet em banda larga por todas as regiões do País, indicou que o governo da Paraíba tem promovido a expansão de redes de fibra ótica naquele estado. Reconheceu, entretanto, que prover conectividade não é suficiente, sendo igualmente necessários investimentos na capacitação dos usuários e na produção de conteúdos digitais. Ao citar o bomdesempenho acadêmico do estado no campo das TICs enfatizou o histórico de cooperação entre universidades paraibanas e canadenses. Por fim, anunciou o interesse da Paraíba em continuar a sediar as próximas edições dessa Conferência.

8. O D-DCT, por sua vez, lembrou que a realização da Conferência representava a concretização de um projeto que remontava ao primeiro encontro do Comitê Conjunto Brasil-Canadá em C,T&I, em junho de 2011, que havia selecionado as TICs como uma das áreas prioritárias para o desenvolvimento da cooperação bilateral. Reiterou o apoio do Itamaraty ao evento e agradeceu o empenho do governo da Paraíba na concretização da iniciativa. Ressaltou que as TICs e, em particular, aInternet, constituem poderosas ferramentas para o desenvolvimento econômico e social e afirmou que é preciso que haja articulação entre todos os setores dasociedade para o aproveitamento de seu potencial.

Nesse sentido, saudou a participação, na Conferência, de representantes da sociedade civil, da Academia, do setor privado e do setor público.

9. Demi Getschko, Conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), ressaltou que a expansãoda Internet no País apresenta muitas oportunidades. Ao mencionar as atividades desempenhadas pelo CGI.br, chamou atenção para o Decálogo de Princípios para Governança e Uso da Internet, elaborado no âmbito daquele Comitê, e ponderou que muitos de seus conceitos estariam presentes no projeto de Lei do Marco Civil da Internet em tramitação no Congresso Nacional. O Cônsul-geral do Canadá no Rio de Janeiro, Sanjeev Chowdhury, por sua vez, enfatizou que a Conferência representava importante instrumento parareforço da cooperação entre os dois países, dando seguimento à parceria estratégica Brasil-Canadá no campo da ciência, tecnologia e inovação.

10. Integraram, igualmente, a mesa de abertura o Vice-governador do estado da Paraíba, Rômulo Gouveia, e o Secretário Adjunto de Ciência e Tecnologia da Prefeitura de João Pessoa, Laércio Alexandrino.

 

Painel sobre a "visão canadense"

11. No início do primeiro painel da sessão plenária, intitulado "Visão Canadense", foi exibido vídeo do Governador-geral do Canadá, David Lloyd Johnston, em que fez menção à visita que realizara ao Brasil em abril de 2012 e saudou o progresso na cooperação bilateral. O referido painel foi coordenado pelo Vice-presidente do Conselho de Pesquisas em Ciências Sociais e Humanidades do Canadá e co-presidente do Comitê Conjunto bilateral em C,T&I, Ted Hewitt. Antes de passar a palavra aos demais painelistas, Ted Hewitt avaliou positivamente a implementação do plano de ação adotado pelo Comitê Conjunto e de seu Grupo de Trabalho na área de TICs.

12. Após vídeo introdutório do Presidente da empresa canadense "Opentext", Tom Jenkins, em que ressaltou que o evento Canadá 3.0 contribuiu para o desenvolvimento de uma estratégia digital canadense, o Vice-presidente de engenharia daquela empresa, Muhi Majzoub, realizou apresentação sobre "Tecnologias Disruptivas e Governo Eletrônico". Iniciou sua palestra recordando como a evolução das TICs alterou o modo como os indivíduos trocam informações, tornando a sociedade cada vez mais conectada. Nesse contexto, ressaltou a importância da expansão de serviços governamentais, via Internet, acompanhada de iniciativas para capacitação dos cidadãos. Ao sugerir maior transparência e abertura dos governos, reconheceu que não basta disponibilizar dados brutos, tendo em vista que o processamento dessas informações requer habilidades específicas. Tony Niederer, Diretor da empresa canadense "Communitech" e Diretor de Marketing da "Canadian Digital Media Network" (CDMN), discorreu sobre a evolução da Canadá 3.0 desde sua criação, em 2009. Com base na experiência acumulada, ressaltou a importância de estimular a articulação entre governo, setor privado e academia na área de TICs, e informou que a edição de 2013 do referido evento ocorrerá nos dias 14 e 15 de maio, em Toronto.

 

Painel sobre cidades inteligentes

13. O segundo painel da sessão plenária, moderado por José Ribeiro Filho, Diretor de Serviços e Soluções da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), abordou o tema das Cidades Inteligentes. Ao mencionar iniciativas daquela entidade para a interligação de redes acadêmicas avançadas, José Ribeiro Filho ressaltou o papel da RNP na implementação de redes óticas de grand capacidade, as quais constituem a base para o desenvolvimento de tecnologias e de políticas públicas relacionadas ao conceito de cidades inteligentes. Francisco Vilar Brasileiro, Professor da Universidade Federal de Campina Grande, por sua vez, afirmou que a provisão de infraestrutura adequada e a operação sustentável constituem desafios a serem superados pelo Brasil, com vistas a avançar no desenvolvimento de cidades inteligentes.

14. Em seguida, o Gerente do Centro de Estudos sobre Tecnologias de Informação e Comunicação (CETIC.br), Alexandre Barbosa, fez apresentação sobre as atividades desenvolvidas por aquele Centro voltadas para o estudo e o monitoramento da Sociedade da Informação no Brasil. Após apresentar estatísticas relacionadas a barreiras financeiras e disponibilidade de infraestrutura de acesso à banda larga, observou que a disparidade regional no uso desse serviço reflete a desigualdade evidenciada por outros indicadores sociais e econômicos. Asseverou, igualmente, que apesar de áreas rurais estarem recebendo crescente atenção de políticas públicas, a disponibilidade do serviço de banda larga nessas regiões ainda é muito inferior à das áreas urbanas.

15. A Secretária de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, Lygia Pupatto, por sua vez, mencionou iniciativas governamentais voltadas para o desenvolvimento da banda larga em zonas rurais e tratou da questão relativa aos incentivos fiscais para redução dos preços, com referência à orientação presidencial para acompanhamento da qualidade do serviço de banda larga. Afirmou que o combate à esigualdade no acesso às TICs seria uma prioridade para aquele Ministério, evidenciada no projeto-piloto "Cidades Digitais", e argumentou que o processo da inclusão digital é essencial para o exercício da cidadania. Defendeu, ainda, articulação entre todos os órgãos do Governo federal, entes da Federação, setor privado, sociedade civil e academia, com vistas à superação do hiato digital, tendo presente que a disponibilização do acesso à Internet precisa ser acompanhada por medidas de capacitação que permitam aos usuários usufruir dos serviços que conformam uma idade inteligente.

 

Palestra do secretário de política de informática do MCTI

16. O Secretário de Política de Informática do Mnistério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Professor Virgílio Almeida, iniciou sua apresentação sublinhando a necessidade de que o Brasil se torne mais competitivo no plano internacional, atraindo investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento e ampliando a inovação em todos os setores da sociedade. Nesse contexto, ressaltou o caráter estratégico das TICs como aceleradoras da inovação. Ao apresentar dados do setor de TICs no Brasil, apontou, como fatores atrativos, a rápida assimilação de novas tecnologias, o grande contingente de profissionais de TI e o potencial de crescimento do mercado interno. Informou que o mercado de TI movimentou 102 bilhões de dólares no Brasil, em 2011 (o que seria equivalente a 4,4% do PIB), valor que deverá atingir 150 bilhões de dólares, em 2020.

17. Apresentou detalhes do Plano TI Maior, lançado recentemente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o qual apresenta, entre suas prioridades, a atração de centros de P&D para o Brasil. Informou que o TI Maior visa a fomentar a inovação e o empreendedorismo, aumentar a competitividade e fortalecer o posicionamento internacional do País na área de Tecnologias da Informação. Prevê, ainda, incentivo à articulação entre o setor público, o setor privado e a Academia, com vistas ao desenvolvimento de softwares e serviços de TI em setores estratégicos ("ecossistemas digitais"), como segurança cibernética, energia, saúde, educação e mineração. Outra vertente do referido plano está voltada para o fomento das empresas "start-ups", por meio da criação de aceleradoras que prestarão apoio ao desenvolvimento de projetos inovadores. Por fim, o Professor Virgílio Almeida detalhou projeto previsto no Plano TI Maior para a instalação, no exterior, de "hubs internacionais", em cidades estratégicas, com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros em P&D na área de TI, bem como facilitar a internacionalização de empresas brasileiras que atuam nesse campo.

 

Fomento a projetos conjuntos Brasil-Canadá

18. O último painel realizado na plenária do evento ofereceu espaço para discussão sobre oportunidades de cooperação entre os dois países no que se refere ao fomento de projetos de pesquisa e desenvolvimento. Ted Hewitt iniciou o debate com informações sobre o "ISTP Canadá", instituição que, como se sabe, tem como objetivo desenvolver e implementar a cooperação internacional em pesquisa e desenvolvimento na área de ciência e tecnologia. Especificamente sobre a parceria com o Brasil, mencionou a experiência exitosa com as chamadas conjuntas para projetos de P&D. Por fim, ao recordar que a cooperação Brasil-Canadá ainda se encontra em fase inicial, defendeu que os dois países continuem trabalhando conjuntamente para identificar novas oportunidades de ação conjunta.

19. O Diretor de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do CNPQ, Guilherme Sales Melo, ressaltou a importância estratégica da área de TICs e do fomento à inovação. Ao citar a demanda elevada por mão de obra qualificada, apontou avanços promovidos pelo Programa "Ciência sem Fronteiras" para a capacitação de profissionais brasileiros em áreas estratégicas, recordando que o Canadá tem sido um parceiro importante no âmbito do referido Programa. Apresentou informações sobre o andamento da chamada conjunta lançada em junho de 2012 e reiterou o interesse do CNPq em seguir apoiando a cooperação com o Canadá no campo da ciência, tecnologia e inovação.

 

Trilha temática 1 - Conectividade e Governança da Internet

20. A trilha sobre Conectividade e Governança da Internet debateu questões relacionadas à segurança cibernética e à proteção de dados pessoais, bem como aos princípios de governança da Internet e à universalização da banda larga. Constataram-se significativas convergências com o lado canadense, tendo em vista que os dois países defendem o modelo multissetorial de governança da Internet e enfrentam desafios comuns para difusão da banda larga, seja para redução de preços desse serviço, seja para expandir sua cobertura para áreas remotas.

21. A primeira rodada de debates, sobre segurança cibernética, contou com a participação de Cristine Hoepers, Gerente-geral do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br); Thomas Keenan, da Universidade de Calgary; Thiago Tavares, presidente da Safernet Brasil; e André Ubaldino, Procurador de Justiça do estado de Minas Gerais. O equilíbrio entre a privacidade dos usuários e a adoção de medidas para fortalecimento da segurança da Internet foi o tema principal dos debates. Os painelistas notaram, ainda, as diferenças entre as ameaças à segurança da rede física e sua infraestrutura lógica e os riscos relacionados ao comportamento dos usuários, que muitas vezes não adotam medidas para proteger informações pessoais.

Tendo em vista a crescente utilização da Internet e, em particular, das redes sociais, houve consenso quanto à importância da conscientização dos usuários para que possam se precaver contra a exposição de dados pessoais. Nesse contexto, foi suscitada a necessidade de atualização da legislação brasileira, para que contemple adequadamente a questão da proteção de dados no âmbito da Internet.

22. O Professor Demi Getschko deu início à segunda rodada de debates sobre princípios de governança da Internet. Após apresentar breve histórico da criação da Internet, dissertou sobre o funcionamento do CGI.br, citando algumas de suas atribuições e iniciativas. Suscitou, ainda, questões relacionadas à neutralidade e inimputabilidade da rede e ressaltou a importância da aprovação do Projeto de Lei do Marco Civil Internet. Carlos Alberto Afonso, também Conselheiro do CGI.br, reafirmou a importância dos 10 princípios para governança e uso da Internet elaborados no âmbito daquele Comitê. No que se refere à Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN), afirmou que, apesar de seu caráter multissetorial, o nível de participação e de influência nas decisões daquela entidade não é equilibrado, havendo clara prevalência dos interesses do setor privado.

23. A terceira mesa de debates da trilha 1 foi moderada pelo Diretor do Departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra e dedicou-se ao tema da universalização da banda larga. Antes de passar a palavra aos painelistas, Artur Coimbra enumerou iniciativas recentes daquele Ministério para difundir o acesso à banda larga. Janet Goulding, do Ministério da Indústria do Canadá (por meio de videoconferência), Catherine Middleton, da Universidade canadense Ryerson, Veridiana Alimonti, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), e Paulo Cerqueira, Coordenador do Programa Luz para Todos do Ministério de Minas e Energia, contribuíram para as discussões sobre o tema. Houve consenso sobre os benefícios da competição para a melhoria dos serviços e redução dos preços da banda larga. Foi ressaltada a importância da articulação entre entes do governo e do terceiro setor (e não apenas com empresas de telecomunicações), para que as expectativas dos usuários também sejam contempladas. Nesse sentido, notou-se a necessidade de ações integradas, por meio da articulação entre os diversos programas governamentais e coordenação junto às comunidades atendidas, visando ao desenvolvimento local.

 

Trilha temática 2 - Conteúdos Digitais

24. Coordenada pela Professora Cosette Castro, coordenadora do Grupo de Trabalho de Conteúdos Digitais no âmbito da Estratégia da América Latina e Caribe para a Sociedade da Informação (eLAC), a trilha 2 teve início com sessão voltada ao tema "Educação à Distância e Conteúdos Digitais Interativos em Multiplataforma". O debate foi mediado pelo professor visitante da Fundação McLuhan Eduardo Vizer e contou com os painelistas Giovanni Farias, do Centro de Educação à Distância da Universidade de Athabasca (Canadá), Fernando Spanhol, da Associação Brasileiro de Educação à Distância (ABED), Helio Dias, criador do sítio eletrônico "Rota dos Concursos", e Caio Leboutte, da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto. Apresentou-se, na ocasião, o panorama geral das políticas para ensino à distância no Brasil e no Canadá. Os palestrantes foram unânimes em enfatizar a necessidade de encontrar maneiras de incorporar e promover os novos paradigmas educacionais que emergem a partir das novas tecnologias da informação e das comunicações.

25. Em seguida, ainda na trilha sobre Conteúdos Digitais, foi realizada a sessão "Convergência de Mídias e Produção de Conteúdos Digitais Interativos", também sob a coordenação da Professora Cosette Castro. Participaram Sean Gouglas, da Universidade de Alberta, Guido Lemos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Carlos Botelho, da empresa Intacto. Foram discutidos modelos de integração entre Academia e indústria, em especial a partir da experiência canadense no setor de jogos eletrônicos (o país é o terceiro maior produtor de "videogames" no mundo). A TV Digital e o novo padrão nipo-brasileiro, em processo de adoção, também foram debatidos, devido às novas possibilidades de transmissão de aplicativos e à complementaridade entre as plataformas e suportes de criação, distribuição e uso de conteúdos.

26. A terceira sessão da trilha teve como tema "MídiasDigitais e Estratégias de Desenvolvimento". A sessão foi mediada por André Barbosa Filho, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e contou com a participação de Fernando Perini, da instituição canadense "International Development Research Centre"(IDRC), Stéphane Cardin, do "Canada Media Fund", Marsal Branco, professor na Universidade Feevale, e Claudia Elias, da empresa TOTVS. Para o pesquisador da IDRC, os novos modos de produção, difusão e consumo de produtos e serviços digitais, baseados em tecnologias inovadoras e em modelos abertos, oferecem oportunidades de soluções de longo prazo que podem contribuir para os esforços nacionais de desenvolvimento. Argumentou que a pirataria refletiria conflito de valores entre os modelos tradicional e digital da indústria de mídias. O fomento a empresas "start ups" e a conteúdos locais inovadores também foi discutido entre os palestrantes da sessão.

 

Trilha temática 3 - Formação de Talentos

27. Sob a coordenação de Moacyr Martucci, Professor do Departamento de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais da USP, a trilha sobre formação de talentos focalizou aspectos pedagógicos, a exemplo da importância da formação transdisciplinar e da preparação dos alunos para lidarem com a evolução tecnológica. Nesse sentido, houve consenso quanto aos benefícios da utilização das TICs para a formação profissional, de modo a permitir, por exemplo, a utilização e o aperfeiçoamento de ferramentas de ensino à distância, para que não se tornem meros repositórios de informações. A defasagem das grades curriculares de cursos universitários foi apontada como desafio a ser superado para que seja colocada em prática formação mais dinâmica e atualizada. Nesse contexto, o envolvimento direto de empresas na formação profissional foi mencionado como aspecto positivo do ponto de vista da criação de ambiente favorável a uma formação compatível com as exigências do mercado.

 

Trilha temática 4 - Empreendedorismo Digital

28. Moderada por Eiran Simis, coordenador de fomento e empreendedorismo do Porto Digital, essa trilha tratou, na primeira rodada de debates, da questão dos "Mitos e Realidades do Empreendedorismo Digital". A primeira painelista, Amisha Miller, da empresa "ENDEAVOR", explicou as fases pelas quais uma "start-up" deve passar (seleção, potencialização e multiplicação) para ter chances de sobreviver. Enfatizou a importância da capacitação para o êxito de jovens empreendedores e saudou o crescimento do empreendedorismo no Brasil. Marcio Marques Brito, representante do SEBRAE, sublinhou, por sua vez, a predisposição do brasileiro a assumir riscos, condição essencial para pessoas que querem se lançar no empreendedorismo, e ponderou que, com o advento da era digital, o custo inicial para se abrir uma empresa prestadora de serviços teria diminuído consideravelmente. Por fim, Tony Niederer dissertou sobre o desafio que representa "transformar boas idéias em boas companhias", enfatizando o papel das TICs na geração de emprego qualificado no Canadá, com a criação de 745 novas empresas ligadas à área, nos últimos cinco anos.

29. A segunda rodada de debates teve como tema: "Educação em Empreendedorismo Digital - como ensinar pessoas a partir de uma idéia digital até a transformação em um empreendimento lucrativo e escalável". Tendo como moderador o professor Eiran Simis, discutiu a questão sobre em que medida é possível "ensinar a empreender", considerando as divergências que existem entre a teoria e a prática empresarial. Os debatedores Felipe Mattos, da "StartupFarm" e Maurílio Alberone, da "Bizstart", focalizaram suas participações na questão da capacitação dos empreendedores e na especialidade de suas respectivas empresas e salientaram a importância de dispor de ferramentas técnicas e de gestão adaptadas a cada realidade específica. Citando casos concretos como o das empresas "Emasters" e "Criatec", Felipe Mattos retomou o discurso da importância da educação empreendedora e da existência de uma comunidade que possa apoiar o empreendedor em seus passos iniciais, através do compartilhamento de experiências práticas e de conhecimentos técnicos.

30. A terceira rodada intitulada: "Papel do Governo na Promoção do Empreendedorismo Digital - que tipos de políticas para a promoção do empreendedorismo digital funcionam?" contou novamente com a participação do professor Eiran Simis como moderador. A Professora Francilene Garcia, Secretária de Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do governo da Paraíba, apresentou os projetos em curso naquele estado para promoção de investimentos, melhoria dos modelos de gestão das empresas incubadas e aprimoramento da cooperação internacional, através da nova plataforma CERNE (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos). O professor José Carlos Cavalcanti da UFPE, opinou que, para que sejam bem sucedidos, os esforços governamentais que visam a estimular o empreendedorismo devem ser associados à iniciativa privada. Quanto à questão do financiamento, crucial na fase inicial das "start-ups", considerou essencial assegurar a perenidade dos programas de fomento.

 

Participação do setor privado / jovens empreendedores

31. Com apoio da Softex, mais de 20 empresas da área de TICs participaram de exposição, montada em área de grande afluxo de participantes, o que garantiu alto nível de visitação.

32. A "FuturaNetworks", realizadora da "Campus Party", promoveu eventos de orientação aos jovens empreendedores na área digital. Foram realizados "talk shops", em que jovens empreendedores de sucesso puderam compartilhar suas experiências exitosas, assim como "speed networking", em que empreendedores iniciantes puderam apresentar seus projetos a empresários mais experientes, e deles receber orientações imediatas.

33. Com apoio financeiro de empresas canadenses e direção técnica da Futura Networks, foi promovido concurso que escolheu a empresa Yupi, de João Pessoa, melhor "start-up" da Conferência. A empresa vencedora receberá, como prêmio, treinamento de uma semana, no mês de fevereiro de 2013, em aceleradoras da "Communitech", no Canadá.

 

Encerramento

34. Durante a cerimônia de encerramento, a Secretária de Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do estado da Paraíba, Francilene Garcia, elogiou o nível dos debates realizados durante a conferência e afirmou ter ficado demonstrado que o modelo da "Canada 3.0" teria sido bem acolhido e poderia ser replicado, com sucesso, no Brasil. O Chefe da DI, por sua vez, ressaltou a necessidade de que, a partir dessa articulação, seja encontrado um objetivo-síntese para o evento Brasileiro, de forma análoga ao que acontece em relação ao "Canadá 3.0" ("Anyone Can do Anything Online in Canada by 2017").

35. Foi exibido, também, vídeo com mensagem do Ministro da Indústria do Canadá, Gary Goodyear, em que ressaltou as similaridades entre os dois países, particularmente no que se refere à prioridade conferida à inovação. Integraram, ainda, a cerimôniade encerramento, o Diretor de Internet da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Maurício Bichara; o Chefe do Escritório comercial do Canadá em Recife, Tim Hopkins; e o conselheiro do CGI.br e presidente da Associação Nacional de Inclusão Digital, Percival Henriques.

 

Avaliação geral

36. O balanço geral da Conferência Brasil-Canadá 3.0 apresenta-se, portanto, amplamente positivo. A Conferência logrou alcançar o objetivo de, com base na experiência canadense, promover interação entre representantes de governo, da Academia e do setor privado em torno de questões relativas às TICs, em geral, e à Internet, em particular, em formato informal e com foco em questões práticas. O próprio Comitê Organizador da Conferência emulou essa estrutura multissetorial, com a participação expressiva de representes de Governo (Itamaraty, MiniCom, MCTI, IBICT, Governo da Paraíba, Prefeitura de João Pessoa), da Academia (UnB, USP, UFCG) e do setor privado (Softex, PriceWaterhouse Coopers, Futura Networks, Porto Digital), bem como da Associação Nacional de Inclusão Digital (ANID) e do Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br). Verificou-se, ademais, grande sinergia entre os esforços dispendidos nos níveis federal, estadual e municipal de governo, tendo a coordenação-geral do evento (nível federal) contado com o decidido engajamento do Governo do Estado da Paraíba e apoio da Prefeitura Municipal de João Pessoa.

37. A realização do evento no estado da Paraíba terá contribuído, outrossim, para a consecução de um dos principais objetivos da "Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2012-2015", qual seja, a de desconcentrar a produção e a disseminação do conhecimento de modo a reduzir as desigualdades regionais no que se refere à formulação e implementação de políticas nacionais. Ao assegurar, por outro lado, a participação de conferencistas de alto nível, o evento despertou elevado interesse no público local/regional. Registre-se que a organização do evento foi levada a limitar o número de inscritos a dois mil participantes, contra um número de pedidos de inscrição que montou a 2.800. O impacto positivo que a "Brasil-Canada 3.0" terá tido junto ao público local (e regional) justificaria, assim, por si só, a realização de futuras edições do evento.

38. O evento confirmou, outrossim, a existência de grande potencial para cooperação entre os dois países na área de TICs. A participação significativa de representantes canadenses na conferência em si e o interesse, reafirmado em diferentes ocasiões, em explorar oportunidades concretas de cooperação bilateral nessa área, atestaram amplamente o acerto da decisão de eleger as TICs como uma das áreas prioritárias para a cooperação bilateral. Há grande expectativa, nesse contexto, de que a próxima sessão do Comitê Conjunto de cooperação em Ciência e Tecnologia leve ao estabelecimento de estabelecer programa de trabalho em torno de projetos concretos.

 

Quando e onde será a Brasil-Canadá 3.0?

A conferência Brasil-Canadá 3.0 acontecerá nos dias 5 e 6 de Dezembro, na cidade de João Pessoa, no Estado da Paraíba. Em João Pessoa os participantes serão recepcionados no Centro de Convenções de João Pessoa.

No dia 03 de dezembro os visitantes canadenses chegarão a São Paulo para um encontro com representantes de empresas sediadas em São Paulo. No dia seguinte se deslocarão para João Pessoa.